domingo, 12 de dezembro de 2010
Diário de Bordo - Tiago Mi
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
A Locomotiva
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
8 de Setembro
Juliana chegou à comunidade, uma favela num morro do centro da capital, com a mãe e os irmãos havia alguns anos. Vieram do interior. Lá, as muitas terras nas mãos de poucos donos cuja grande produtividade de produtos agrícolas é conseguida a custos baixos através da mão de obra barata, não ofereciam empregos a todos, muito menos qualidade de vida. O município não era inteligente para gerar oportunidades e perspectivas melhores para a mãe e seus filhos. Acreditavam que na capital teriam melhor sorte.
Nas aulas de coral e flauta aos sábados, Juliana, de 12 anos, sempre acompanhada de seu irmão mais novo, Daniel, se sentia a vontade e acreditava no que ouvia. Sabia que ali era bem-vinda. Tinha um carinho imenso pelo professor e sua equipe que, conscientes dos problemas que afetam aquelas crianças, estavam dispostos a fazer com que jovens sem perspectivas se tornassem cidadãos brigadores de seus direitos, tomassem a rédea de suas vidas e lutassem pelo que acreditavam.
O dia 8 de setembro é uma data especial na comunidade. Aquela gente pára para as festas e a procissão em homenagem ao dia de sua padroeira. Por coincidência é o mesmo dia do aniversário do professor de música do coral, que há alguns meses compartilhava ali bons momentos com a população. Naquele tempo muitas coisas foram feitas com a parceria escola e coral de música. A comunidade que antes via o professor com desconfiança passou a confiar em seu trabalho e admirar aquele jovem que ia até eles despretensioso compartilhar seus conhecimentos.
No dia 8 de setembro, junto à homenagem à padroeira, homenagearam também o professor. Foi um dos dias mais importantes de sua vida. Juliana lhe deu um cartaz desenhado e assinado por todos seus alunos. E depois, um presente em particular. Junto da mãe, Juliana comprou uma pequena imagem de Nossa Senhora e com um cartão, entregou ao professor desejando-lhe força para continuar seu trabalho e que Nossa Senhora o iluminasse por toda a vida.
Na semana seguinte Juliana não apareceu na aula de música. Ela nunca havia faltado. Logo a notícia se espalhou. Juliana e sua família foram expulsas do morro. Seu irmão mais velho devia dinheiro a traficantes que entraram em sua casa, destruíram quase tudo e levaram alguns objetos prometendo voltar. À mãe da menina não restava outra alternativa a não ser fugir com seus filhos.
Segundo a polícia nada podia ser feito. Uma minoria da favela envolta a grande maioria de trabalhadores e gente de bem consegue fazer um estrago gigantesco. Minoria esta que detém o poder onde o poder público não exerce suas responsabilidades. A polícia que atende ao chamado de uma casa onde um quadro de milhões de dólares é roubado, não se prestou a dar segurança e reaver os pertences de Juliana e sua mãe.
O Brasil é dominado por minorias. São os banqueiros, grandes agropecuários e grandes empresas nacionais e multinacionais os financiadores das campanhas de deputados, senadores, prefeitos, vereadores, governadores, presidentes... A quem irão atender ao criarem leis ou fazerem justiça, os nossos excelentíssimos governantes? À Juliana e sua família resta aprender a importante lição do valor de seu voto, trocado, como vemos em todos os lugares, por cestas básicas, favores, combustíveis ou empregos. Muitos dos nossos governantes estão lá financiados por grandes empresas e eleitos pela compra de votos. Não é de seus interesses informar e educar esses eleitores. Muito menos promover políticas públicas que gerem censo crítico na população. Quanto mais conscientes forem as pessoas, mais difícil será a conquista desses votos.
Aos que tiveram a oportunidade de aprender essa lição, resta a opção de deixar como está, ou de fazer algo para reverter. As conseqüências do desinteresse por uma educação conscientizadora, de comida e moradia digna para todos e principalmente de governantes de qualidade, afetam a todos nós. Num país em que muitas vezes se opta por votar no “menos pior” por falta de escolha, resta acreditar na união das pessoas conscientes. Trata-se de uma força e um poder sem igual que precisamos aprender a usar.
Aos colegas de Juliana fica a saudade. Violências são freqüentes na vida daquelas crianças, tornando, infelizmente, esse tipo de acontecimento, natural. Ao professor ficam o sentimento de impotência, as lembranças daquele sorriso sincero e o presente que é guardado como o objeto mais valioso que possui.
domingo, 4 de julho de 2010
Mudança no Código Florestal Brasileiro
Com a crescente demanda popular pela proteção de nossas florestas, a bancada ruralista está pressionando os líderes partidários e aumentando os seus esforços para acabar com o nosso Código Florestal.
A petição pela defesa do código e proteção ambiental já tem mais de 130.000 assinaturas mas precisamos de ainda mais para conseguir pressionar nossos deputados. Está na hora de falarmos mais alto do que os interesses dos grandes agronegócios e mostrar ao congresso que, em ano de eleição, eles devem ouvir o povo brasileiro. Assine abaixo e encaminhe para todos que você conhece. Vamos conseguir 200.000 assinaturas para proteger as florestas!
http://www.avaaz.org/po/salve_codigo_florestal/98.php?CLICK_TF_TRACK
Enquanto o mundo todo está discutindo como preservar nossas florestas para futuras gerações, um grupo de deputados está fazendo exatamente o contrário: estão tentando entregar as nossas florestas para os responsáveis pela devastação e desmatamento do Centro-Oeste e da Amazônia.
As propostas absurdas incluem:
* Reduzir ou até mesmo elimintar a Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente como margens de rios e lagoas, encostas e topos de morro, para certas propriedades
* Anistia total aos crimes ambientais, sem tornar o reflorestamento da área uma obrigação
* Transferir a legislação ambiental para o nível estatal, removendo o controle federal
Essa não é uma escolha entre ambientalismo e desenvolvimento, um estudo recente mostra que o Brasil ainda tem 100 milhões de hectares de terra disponíveis para a agricultura, sem ter que desmatar um único hectare da Amazônia. A proteção das floretas e comunidades rurais depende do Código Florestal, assim como a prevenção das mudanças climáticas e a luta contra a desigualdade do campo. Assine agora no link abaixo!
http://www.avaaz.org/po/salve_codigo_florestal/98.php?CLICK_TF_TRACK
quinta-feira, 3 de junho de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Na Lagoa
Descobrimento?
segunda-feira, 3 de maio de 2010
A Quem Interessa?
Punição, Não Falta
Cresceu na Cidade de Deus, favela do Rio de Janeiro. Naquela realidade que vimos no filme que leva esse nome. Sua tia Celestina lia histórias do mundo ao menino quando ainda não sabia ler. Outros estímulos para a arte vieram de dona Marília Freitas e dona Sônia Formiga, professoras do primário. O incentivo gerou frutos. Paulo cursou Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mais tarde, o que escreveu foi traduzido em 14 ou 15 línguas. Livro que virou um dos filmes de maior sucesso do cinema brasileiro e segundo um importante jornal norte-americano, está entre os 10 melhores filmes da história: Cidade de Deus.
Em entrevista à revista Caros Amigos de abril de 2010, o escritor Paulo Lins que, da favela da Cidade de Deus ganhou o mundo, fala com a consciência de quem conhece o contra ponto, a outra face da sociedade. Das quatro páginas de sua entrevista, segue um pequeno trecho do que, segundo ele, acontece na cidade Maravilhosa:
“... Sérgio Cabral (Governador do Rio de janeiro) fala, por exemplo: ‘a polícia sobe na favela e tem que trocar tiro mesmo, porque o traficante não recebe a polícia com flores e sim com tiros, então a polícia responde à altura’. Com essa teoria de porta de gabaré, talvez esse tenha sido o governo que mais matou nesse Estado. A polícia é recebida com tiro porque o Estado deixa as armas e munição chegarem lá pela corrupção. E as drogas também. Drogas nem tanto, porque as drogas não são oficiais como as armas – não há fábricas de armas clandestinas. Então são os empresários do setor e os governos que são os responsáveis pelas armas que estão matando essas crianças, esses meninos semianalfabetos, desnutridos, sem cultura, sem educação, com fome e com raiva. A polícia do Sérgio Cabral matou tanto que quatro desembargadores, cinco juízes, músicos, artistas, professores, jornalistas, além de diversas entidades como a OAB, Tortura Nunca Mais, MST e pessoas como Marcelo Yuka, Letícia Sabatella, Lobão, Beth Carvalho, Nilo Batista, Carlos Latuff, Cecília Coimbra, Vera Malaguti e várias outras assinaram um manifesto contra essa política assassina do início do governo dele. Eu também assinei. Não é fácil dar tiro na polícia, tem que ter peito. Para o cara sentar o dedo na polícia, ele está dando um tiro em toda a sociedade. Então, quando ele atira num policial, ele está atirando no presidente da República, nos deputados e senadores, no governador; nas pessoas que discriminam, está atirando nos racistas, nos corruptos, nos ladrões da política, nessa gente que só pensa em lucro. Enfim, ele está atirando no que a gente tem de pior. Está atirando naquilo que o faz existir”.
Como diz uma Assistente Social: “Pra esse povo falta tudo: educação, alimentação, moradia digna, atenção, estrutura familiar, saúde, dignidade... Punição, não falta”.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
O Carnaval de São Miguel Arcanjo atraiu nos cinco dias de festas milhares de pessoas às ruas de concentração e desfiles das Escolas de Samba e blocos Carnavalescos. O Bloco Nu´Interessa reuniu na sexta e no domingo de carnaval centenas de pessoas com suas cantoras, marchinhas de carnaval e o batuque que é tradicional em nossa cidade, além de animar junto com a rapaziada da Zolivre o bar do Clube Bernardes Júnior as 4 noites de carnaval. O Bloco das 7 animou as ruas da cidade durante 4 dias. Foram aproximadamente 100 camisetas vendidas, mais a galera que ía se juntando ao batuque e a animação da rapaziada. O mesmo número de camisetas do Brócão que animou as noites de sábado e segunda, quando centenas de foliões se uniram à festa no desfile em frente ao Clube. O tradicional Bloco da Tia Marta na Lanchonete da Marta e o QG do Barracão, na Casa da Praça, fizeram a festa da tarde de domingo. A Unidos da Ponte Preta completando 21 anos de história mostrou a sua raça nos desfiles de sábado e segunda em São Miguel Arcanjo e no domingo em Tatuí. E ainda mais de 120 integrantes desfilaram com suas belas fantasias e alegorias representando o tema “Nossa União” da Zolivre 2010. O Clube Bernardes Júnior muito bem decorado, trabalhado e organizado, encheu as 4 noites de festa com a banda no palco principal e o tradicional batuque do bar. Logo depois do baile, aproximadamente 100 sobreviventes foram batucando e formaram o bloco do Coreto na Praça da Matriz. Pra fechar com chave de ouro, 40 jovens de 6 a 14 anos do CIS Curumim desfilaram tocando bateria de carnaval nas ruas da Praça da Matriz formando a Escola de Samba Mirim Livre. Parceria entre o CIS Curumim, Escola de Samba Zolivre e a Comissão Organizadora do Carnaval na construção do projeto “Faz Parte Desse Nosso Carnaval”.
O carnaval é movido por cultura, arte, pessoas. Compositores de sambas-enredos, desenhistas de fantasias, costureiras, artistas plásticos para a confecção dos carros alegóricos, músicos, batuqueiros e mágicos da arte da alegria. Nossas pousadas ficam lotadas, nossa economia cresce, nosso povo se movimenta pra fazer o carnaval.
Há muita gente envolvida na construção do carnaval. Há muita gente pulando carnaval. Nossa cidade gosta disso e vive o carnaval. A todos os blocos, Escolas de Samba, foliões e pessoas que trabalharam para que tudo isso acontecesse, meus parabéns. E aqui fica um lembrete: é dever do Estado fomentar a cultura. E não há nada mais cultural para o nosso povo do que o carnaval.
Tiago Mi.



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