segunda-feira, 3 de maio de 2010

Punição, Não Falta

Cresceu na Cidade de Deus, favela do Rio de Janeiro. Naquela realidade que vimos no filme que leva esse nome. Sua tia Celestina lia histórias do mundo ao menino quando ainda não sabia ler. Outros estímulos para a arte vieram de dona Marília Freitas e dona Sônia Formiga, professoras do primário. O incentivo gerou frutos. Paulo cursou Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mais tarde, o que escreveu foi traduzido em 14 ou 15 línguas. Livro que virou um dos filmes de maior sucesso do cinema brasileiro e segundo um importante jornal norte-americano, está entre os 10 melhores filmes da história: Cidade de Deus.

Em entrevista à revista Caros Amigos de abril de 2010, o escritor Paulo Lins que, da favela da Cidade de Deus ganhou o mundo, fala com a consciência de quem conhece o contra ponto, a outra face da sociedade. Das quatro páginas de sua entrevista, segue um pequeno trecho do que, segundo ele, acontece na cidade Maravilhosa:

“... Sérgio Cabral (Governador do Rio de janeiro) fala, por exemplo: ‘a polícia sobe na favela e tem que trocar tiro mesmo, porque o traficante não recebe a polícia com flores e sim com tiros, então a polícia responde à altura’. Com essa teoria de porta de gabaré, talvez esse tenha sido o governo que mais matou nesse Estado. A polícia é recebida com tiro porque o Estado deixa as armas e munição chegarem lá pela corrupção. E as drogas também. Drogas nem tanto, porque as drogas não são oficiais como as armas – não há fábricas de armas clandestinas. Então são os empresários do setor e os governos que são os responsáveis pelas armas que estão matando essas crianças, esses meninos semianalfabetos, desnutridos, sem cultura, sem educação, com fome e com raiva. A polícia do Sérgio Cabral matou tanto que quatro desembargadores, cinco juízes, músicos, artistas, professores, jornalistas, além de diversas entidades como a OAB, Tortura Nunca Mais, MST e pessoas como Marcelo Yuka, Letícia Sabatella, Lobão, Beth Carvalho, Nilo Batista, Carlos Latuff, Cecília Coimbra, Vera Malaguti e várias outras assinaram um manifesto contra essa política assassina do início do governo dele. Eu também assinei. Não é fácil dar tiro na polícia, tem que ter peito. Para o cara sentar o dedo na polícia, ele está dando um tiro em toda a sociedade. Então, quando ele atira num policial, ele está atirando no presidente da República, nos deputados e senadores, no governador; nas pessoas que discriminam, está atirando nos racistas, nos corruptos, nos ladrões da política, nessa gente que só pensa em lucro. Enfim, ele está atirando no que a gente tem de pior. Está atirando naquilo que o faz existir”.

Como diz uma Assistente Social: “Pra esse povo falta tudo: educação, alimentação, moradia digna, atenção, estrutura familiar, saúde, dignidade... Punição, não falta”.

2 comentários:

Unknown disse...

A sociedade "cria o bandido" pra depois punir. Que trabalho que dá isso!! Será que ninguém percebe??

Anônimo disse...

pior que nao ta td mundo mais interressado em detonar o tiririca