segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Quem Interessa?





O jovem músico de vinte e poucos anos aceitou o convite. A responsabilidade era grande. Ele não tinha formação técnica musical e pedagógica, mas era o único disposto a subir o morro todos os sábados, entrar na favela e montar um coral com crianças e adolescentes de um pequeno colégio no meio da comunidade.
No primeiro dia de aula, se surpreendeu com a atenção, percepção e com o carinho que aqueles vinte e poucos alunos o receberam.
Se apresentou, conversou um pouco e escreveu no quadro negro com uma das poucas pontas gastas de giz que havia: “´Nós devemos ser a mudança que desejamos ver no mundo.’ Mahatma Gandhi.” Em seguida, perguntou: O que nós desejamos ver no mundo? Choveram respostas: natureza, paz, amor, justiça, um mundo sem drogas, sem violência, onde a gente viva bem, solidário... Depois de muitas palavras de um futuro utópico, o professor partiu para a parte mais difícil do exercício e fez a pergunta: “O que é necessário para que esse mundo exista?” Ingenuamente, havia preparado todo um discurso para tentar passar o que Gandhi quis dizer. Porém, no instante em que fez a pergunta, um garoto no fundo da sala ergueu a mão: “A gente precisa começar pela gente!”. Pronto! Não precisava dizer mais nada. O menino João de 13 anos sabia profundamente o que aquilo significava. João vem de uma família de dez irmãos criados pela avó, num barraco de dois cômodos sem banheiro. Na época, já eram 8 os sobreviventes. Dois haviam sido mortos. Um por engano. Muito parecido com o irmão mais velho chefe do tráfico, foi confundido. Em seguida, os traficantes do morro ao lado que pretendiam dominar a boca, mataram o “certo”. Mas quem assumiu o comércio foi um outro irmão de Jorge, dois anos mais velho. A pressão era grande. A “firma” precisava de gente pra trabalhar e defender o poder e o pão de cada dia. João se dividia entre o “córre” e as aulas de coral e violão aos sábados, únicos lugares em que era valorizado. A mente e o coração de João estavam divididos. Ele sonhava com um mundo sem violência, sem drogas, e se via entrando num mundo oposto que sustentava seus desejos e necessidades e o forçava a participar. Olhando de fora parece ser fácil a escolha. São nove os seres humanos que sobrevivem com a fortuna que a avó, descendente de escravos, recebe de aposentadoria. João tentou arranjar emprego. O fato de morar na favela não o ajudava, muito menos seus conhecimentos em português, matemática e informática que a sexta série do ensino público brasileiro oferece. Apesar de saber que a construção do mundo baseado no “bem viver” precisa dele, o mundo que construímos, que também precisa de João, se mantém forte.
Essa é mais uma, dentre milhares de histórias reais do dia-a-dia de uma das maiores economias do planeta. Por onde anda essa fortuna? Instituições internacionais como FMI e Banco Mundial, tratam o Brasil como um país em desenvolvimento. Qual desenvolvimento? Economicamente, nossa nação começa a dialogar com certa autonomia frente às grandes potencias mundiais. Socialmente, produz os piores problemas que afetam a todos, principalmente a população cuja presença do poder público é mínima. Grande parte de nossas crianças estão fadadas a aprender sobre a vida apenas com a vida. Algumas delas aprendem somente a sobreviver. A quem interessa um país em desenvolvimento econômico sem o desenvolvimento de seu povo? Por que, ao invés de criarmos funcionários para o mercado de trabalho e mão de obra barata, não formamos cidadãos que passem a questionar sobre essa forma de viver? A princípio, seria apenas uma luta para permitir que um maior número de pessoas coma mais, more com dignidade e eduque-se. A partir desses fundamentos básicos, muitos outros problemas se resolveriam sozinhos, e aí sim, poderíamos começar a dizer que o Brasil é um país em desenvolvimento. Porque uma nação saudável se faz de indivíduos saudáveis.

Um abraço,
Tiago Mi

Maravilha!




Maravilha!

Com um lindo sorriso e um brilho nos olhos a jovem menina perguntou esperançosa: “Voltou pra ficar?”. “Seu Deus quiser!”, foi a resposta do jovem professor.
Há quem diga que o que aconteceu foi perda de tempo. Mas quem conhece um pouco do ser humano sabe que é fundamental para o desenvolvimento de qualquer pessoa a música, a criatividade, a disciplina, a atenção, o carinho, o afeto, o respeito, a auto-estima, a dignidade, o incentivo à arte, um trabalho que movimente o corpo, a mente e o espírito da criança. E quem conhece um pouco de sociedade, sabe da importância da cultura, da união das pessoas em prol de um objetivo em comum, do lazer, do trabalho, da arte, da música, da expressão. Não é apenas a busca pelo dinheiro e pelo lucro que move as pessoas. Não é apenas o movimento econômico que deve mover os interesses de um município. O ser humano se constitui de aspectos muito mais subjetivos que objetivos.
Aquela menina participou de um movimento cultural grandioso que engloba todas as qualidades citadas acima. O maior do nosso país, do qual São Miguel Arcanjo é referência na região e possui um potencial gigantesco para crescer. Juntos dela fizeram parte centenas de são-miguelenses em diversos blocos carnavalescos, escolas de samba, clube, o que atraiu milhares de pessoas para prestigiar, se divertir e fazer parte do Carnaval 2010 de São Miguel Arcanjo. Tudo começou com a escolha da Musa do Carnaval. Nu`Interessa, Bloco das 7, Brócão, Bloco da Tia Marta, Bloco do Coreto, QG do Barracão, dentre outros,  tiveram cada um, uma centena de foliões fazendo o carnaval. A Ponte Preta e a Zolivre, com mais de 120 integrantes, com suas baterias, alegorias, fantasias, sambas-enredo, movimentaram compositores, desenhistas, músicos, batuqueiros, jovens dançarinas, artista plástico, costureiras, foliões e jovens e adultos que se movimentaram para construir tudo isso. E ainda, uma bateria de escola de samba formada por 40 jovens de 6 a 14 anos chamada de Mirim Livre do CIS Curumim encerrou em grande estilo essa festa. Algo que contou com a ajuda de empresas como o Supermercado Almeida, Supermercado MH, Viva Morena Calçados, Casa da Praça, Auto Posto Marchesin, Sítio MC, Rádio Aliança FM e Zolivre. Isso mostra que além de toda movimentação popular e de qualidades fundamentais para uma sociedade saudável, existe também em nosso carnaval, consciência. Consciência de que somente movimentando e integrando crianças de forma saudável à cultura e à sociedade, conseguiremos um “bem viver” para todos nós. É claro que para isso é preciso organização de quem está interessado em fazer o carnaval e incentivo e investimento por parte do poder público, que é o seu dever.
Mas o mais importante é que o sorriso daquela menina algumas semanas depois em que desfilou com a bateria Mirim Livre e que representa o sorriso de outros 40 jovens, dá a certeza de que teremos um futuro mais digno. Isso porque esse sorriso tem por traz a força de vontade, a atenção, a disciplina, o carinho, o interesse, o respeito, a inteligência, a capacidade, a alegria, a solidariedade, a esperança e a vontade de querer mais, que demonstraram ter essas 40 pequenas almas nas aulas, ensaios e no desfile. Se dermos espaço e oportunidades para essa turma, São Miguel Arcanjo, o Brasil e o Planeta estarão em boas mãos.

Um abraço,
Tiago Mi






5 comentários:

Anônimo disse...

oi,garoto bacana.eunao vou mais te encomodar.vc nao quer mais me ouvir.td bem
minha lt começa agora,longe de teus olhos.
eu ainda acredito em homens do bem ,que nao rotulao.veem o interior ,nao aparencia fisica,ou conta bancaria.eu tambem gosto do lider,que morreu lutando pela india,um povo que sofreu orrores na mao da inglaterra.me desculpe a intençao era boa,mas de boas intençoes,o inferno esta cheio,nao é.quem sabe um dia nos encontramos,em berlim,ou no haiti.rezarei sempre por ti

Anônimo disse...

na vida a gente só perde aquilo que nunca teve.tenho que lutar pelos meus ideais,a hipocricia me enoja.o ciumes cega,o rancor mata.definitivamente nao acho que quem ama a rosa deve suportar os espinhos

Anônimo disse...

tem gente que nao sabe amar,tem gente que machuca os outros.mas td bem,o meu amor me cura de td loucura,o teu amor é uma mentira que aminha vaidade quer.burguezinho

Anônimo disse...

valeu garoto de ipanema

Anônimo disse...

que isso que doidera,o poeta esta vivo,e vive aqui.