Através
do Diálogo ou da Lei
Já
escrevi neste espaço que a vida humana impõe limites, fundamenta normativamente
uma ordem, tem exigências próprias. Impõe também conteúdos: há necessidade de
alimento, casa, segurança, liberdade e soberania, valores e identidade
cultural, plenitude espiritual (funções superiores do ser humano em que
consistem os conteúdos mais relevantes da vida humana). Se não comemos,
morremos de fome; se não nos abrigamos, morremos de frio. A vida humana exige o
desenvolvimento em seus diversos aspectos: físico-biológico,
histórico-cultural, ético-estético, científico e até místico espiritual.
Portanto, precisamos de uma estrutura que possibilite com que todas as crianças
possam se desenvolver em todos estes aspectos, conscientes de que existe uma
diferença fundamental entre o que torna a vida agradável e o que a torna
possível.
Em
Audiência Pública exigida por jovens e conquistada, foi apresentada por cerca
de trezentos jovens, organizados em diversos movimentos juvenis, grêmios
estudantis, alunos, professores e entidades, mais de quinhentas propostas às
autoridades que continham estes dois tipos de direitos garantidos em
constituição, mas que por aqui são violados: direitos que tornam a vida
possível e direitos que a tornam agradável.
A
estrutura da Saúde Pública deveria tornar a vida possível, assim como a Ética
deveria ser o fundamento de qualquer administração pública. Estive no P.A.
nesta terça-feira de madrugada e vi a placa informando à população que o Pronto
Atendimento é obra da Prefeitura Municipal de São Miguel Arcanjo. Porém, a
história verdadeira é outra. A Associação São-Miguelense de Assistência Social
e Saúde (ASASS) é a entidade responsável pela construção do prédio do Pronto
Atendimento médico de São Miguel Arcanjo. Com o apoio da comunidade
são-miguelense, o ASASS em pouco mais de cinco anos reuniu recursos
financeiros, doações de material de construção civil, material hospitalar,
investiu na construção do Pronto Atendimento e em sua aparelhagem e o doou à
Prefeitura Municipal de São Miguel Arcanjo no ano de 2007, com quase 100% das
obras concluídas. A partir de então, uma parte da Saúde Pública do município
foi terceirizada e entregue a uma outra Entidade, de uma outra cidade, que
infelizmente é incapaz, como demonstraram os jovens em Audiência Pública, de
gerar o atendimento adequado à população de São Miguel Arcanjo. Além da
qualidade necessária no atendimento à saúde, o que falta também é a Ética
necessária para informar o que é correto, e a valorização à comunidade de São
Miguel Arcanjo pela obra essencial que construiu em grande parte, e que
sustenta até hoje a Saúde Pública da nossa cidade.
Quanto
à Merenda Escolar, neste ano é investido um montante de aproximadamente um
milhão e meio de reais a uma empresa para enlatar o alimento e servir aos
nossos alunos durante as aulas. Significa que em uma cidade rodeada por
fazendas, não produzimos a nossa própria merenda escolar. Tão lamentável quanto
a ação Política que investe nosso dinheiro não em nossa agricultura familiar,
mas em uma empresa também de uma outra cidade, é o fato desta estar envolvida
no que o Ministério Público do Estado de São Paulo denunciou de “Máfia da
Merenda”. Na cidade de São Paulo, contratos com outra empresa também denunciada
já foram quebrados. Os jovens em Audiência Pública exigiram o mesmo por aqui,
mas infelizmente a nossa “democracia” ainda é autoritária. Felizmente, nossos
jovens já aprenderam a lutar. Falta agora, nossos governantes aprenderem a
ouvir, e isso acontecerá. Poderá ser através do diálogo ou da lei. Vai depender
do amadurecimento democrático de quem está no poder.
Um
abraço,
Tiago
Mi.